Marcas! (Parte 4-final)

Continuação da história que inventei para um trabalho de faculdade que acabou se estendendo em 4 partes!

As descobertas

Daniel virou um vingador. Matava todos aqueles que já tinham cometido algum tipo de traição. Achava que as pessoas mereciam ser punidas.

Helena continuava doente e nenhum médico conseguia descobrir o que ela tinha. Por isso Daniel convenceu ela a ir morar em seu apartamento.

Enquanto jantavam, Helena perguntou á Daniel o que era o gosto estranho na comida, mas ele dizia que seu paladar tinha ficado amargo por causa da doença e dos remédios.

Quando Daniel saiu no dia seguinte, Helena resolveu procurar pela casa por algo suspeito. Não sabia o que deveria procurar exatamente, mas desconfiava de alguma coisa. Foi para o armário do banheiro, onde ficava os remédios, no meio deles continha um chamado “Cymbalta”, Helena já havia escutado sobre aquele remédio, era para pessoas depressivas e com enxaqueca, mas Daniel nunca havia mencionado nada sobre isso para ela. Pesquisou na internet e descobriu os efeitos colaterais.

– “…cansaço, sonolência, vertigens, febre” – Helena lia cada vez mais desconfiada.

Foi para a cozinha e revirou a lata de lixo. No meio de restos de comidas e embalagens encontrou uma cápsula aberta. A essa altura Helena tinha certeza de onde vinha sua doença.

Daniel tinha saído para ir ao teatro. Estava ensaiando para uma peça nova. Ronaldo era seu amigo na trama, mas também estava se tornando seu amigo na vida real. Era difícil não se tornarem amigos, compartilhavam o mesmo camarim e Ronaldo era muito divertido, aquele tipo de pessoa impulsiva que falava e fazia as coisas sem pensar, tornando tudo tão espontâneo e divertido.

– Cara, você não sabe – disse Ronaldo á Daniel no camarim.

– O quê? – respondeu Daniel.

– Coloquei um detetive atrás da minha mulher. Acho que ela está me traindo.

– Que chato.. A pessoa trair você é porque não tem um mínimo de consideração. – respondeu Daniel inconformado.

– Pois é cara, não sei o que fazer se ela estiver me traindo.

-É só dar um fim. – respondeu Daniel sendo ambíguo.

Daniel chegou em casa e Helena estava pálida deitada no sofá. Perguntou se ela estava se sentindo bem e ela disse que não.

O que Daniel não sabia é que Helena tinha passado pó no rosto para parecer doente. Resolveu pedir comida, pois achava que tinha exagerado nas doses de remédio na comida dela e ele estava exausto para cozinhar.

Helena ficou decepcionada, pois esperava surpreendê-lo colocando o remédio na comida e acabar com tudo aquilo o mais rápido possível.

Chegando a noite, Daniel foi para a cozinha e começou a cozinhar, habitualmente Helena foi tomar banho e quando saiu Daniel olhou para ela surpreso. Helena percebeu que a maquiagem deveria ter saído e ficou assustada.

Daniel voltou para a cozinha, abriu as cápsulas e despejou o conteúdo no prato com arroz e feijão, afinal, Helena já parecia melhor.

Helena pegou o celular para tirar foto dele jogando remédio na comida. Encostou na parede, colocou o celular encostado no corpo e direcionou para Daniel, quando ia apertar para tirar a foto, Daniel olhou para trás e viu Helena. Na hora ela escorregou pela parede e Daniel correu para segurá-la.

– Oh! Me deu uma tontura, quase desmaiei. – disse Helena sem ar por quase ser pega no flagra.

– É melhor você se deitar – disse Daniel olhando para o celular, cuja tela estava toda preta, pois Helena tinha colocado o dedo na frente da câmera.

Por via das dúvidas, Daniel voltou para a cozinha e acrescentou mais algumas doses do remédio na comida. Quando Daniel levou a comida, Helena ficou receosa.

– Coma! – Disse Daniel.

Helena pensou um pouco, mas não podia colocar tudo em risco, então agiu normalmente e comeu tudo.

[…]

Bem cedo, Daniel se levantou e olhou para Helena, estava dormindo tranquilamente. A dose a mais havia funcionado, pois ele havia batido palmas 3 vezes e ela nem tinha se mexido.

A caminho do teatro foi pensando se ela realmente tinha descoberto alguma coisa, ou se era apenas paranóia sua. Quando chegou foi direto para o camarim, estava vazio, mas logo em seguida entrou Ronaldo suando frio. Ele fechou a porta e a trancou. Daniel levantou e ficou perplexo, Ronaldo estava armado.

– O que aconteceu?? –perguntou Daniel atônito.

– Eu ma..matei ela!! – respondeu Ronaldo colocando a arma em cima do balcão.

Daniel arregalou os olhos. Ronaldo continuou falando muito eufórico.

– E agora, o que eu faço?? O que eu faço??

Daniel pensava a mesma coisa, o que ele ia fazer?! Estava envolvido em um crime indiretamente e não queria a polícia o interrogando. Então tentou influenciar Ronaldo.

– Cara, volta lá e se livra do corpo!!

– Não, eu não vou aguentar viver com isso!! – Gritou Ronaldo.

Ronaldo pegou a arma, apontou para a própria cabeça. Quando Daniel foi em sua direção para impedi-lo, Ronaldo atirou. Sangue voou em Daniel sujando seu rosto e sua roupa. Daniel se preocupou, agora ele fazia parte da cena do crime. Não demoraria para a polícia juntar dois mais dois, afinal, ele estava ligado direto e indiretamente com os crimes anteriores.

Resolveu fugir. Saiu pelos fundos e escolheu os caminhos menos comuns para não encontrar ninguém. Não teria problema se a perícia acha-se algum vestígio de Daniel no camarim, afinal, eles dividiam o mesmo camarim.

– Vou para casa me lavar, trocar de roupa, volto e finjo que acabei de chegar. – Pensou Daniel enquanto dirigia de volta pra casa.

[…]

Helena acordou se sentindo muito mal. Quando tentou se levantar sentiu tontura, mas precisava se esforçar, Daniel já estava desconfiando e ela não podia ficar naquela casa nem mais um dia.

Pegou um saco plástico, foi para a cozinha e colocou um pouco de comida dentro. Levaria a comida e o remédio para a polícia e provaria que estava sendo envenenada. Voltou para o quarto e se arrumou devagar, pois ainda se sentia muito mal. Quando foi ao banheiro pegar o remédio, ouviu a porta da casa se abrir e se escondeu no box.

Era Daniel que chegou e foi direto para o banheiro se lavar. Tirou a camisa e jogou dentro do Box sem olhar. Helena viu a camisa caída em seus pés cheia de sangue, arregalou os olhos, colocou a mão na boca e prendeu a respiração. Helena inclinou a cabeça devagar e olhou para fora do Box, viu as mãos de Daniel na pia se lavando, e a água que descia pelo ralo continha sangue. Helena voltou para dentro do box e lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Daniel foi para o quarto se trocar e o encontrou vazio.

– Helena! – Disse Daniel rispidamente.

Daniel ouviu um barulho, correu para sala e encontrou Helena procurando a chave da porta. Quando Helena o viu se desesperou, os diversos chaveiros que colocava em suas chaves para não perdê-la, atrapalharam-na de encontrar a chave certa da porta, quando conseguiu colocar a chave na porta e abri-la, Daniel apareceu e bateu a mão na porta, fechando-a com um estrondo.

Helena saiu correndo, Daniel trancou a porta e gritou.

– Helena! Volta aqui!Você não pode ir embora! – Sua voz ia diminuindo o tom. – Eu tenho que cuidar de você… você não está bem! – Enquanto falava, caminhava para a cozinha.

Na cozinha Helena ia pegar uma faca. Quando Daniel apareceu, ela estava de um lado da mesa, e ele de outro.

– Por favor Daniel, me deixa ir embora! – Helena chorava. – Me deixa sair… por favor

-Você não pode, você está doente e eu estou cuidando de você, eu te amo Helena! –  Daniel falava normalmente, mas seu olhar estava longe.

Helena não sabia o que fazer, então resolveu entrar no jogo e fingiu desmaiar. Como esperado Daniel correu para segurá-la e levou ela para o sofá. Quando Daniel colocou Helena no sofá, ela pegou o bibelô da mesa e acertou-lhe a cabeça. Daniel caiu no chão e Helena correu para a cozinha e pegou uma faca e a chave que estava em cima da mesa, quando se virou, Daniel estava em pé atrás dela. Helena levantou a mão para golpeá-lo, mas Daniel segurou a mão de Helena tão forte que a faca caiu. Enquanto segurava sua mão, Helena olhava para ele e não via expressão nenhuma em seu rosto. Suas mãos já estavam ficando dormentes, levantou a perna e deu uma joelhada no estômago de Daniel, ele a soltou. Helena abaixou e pegou a faca, mas Daniel pulou em cima dela e a segurou pelas mãos de novo. Por causa do peso dele sobre seu corpo, Helena não conseguia se mexer.

Daniel pegou a faca de sua mão, Helena aproveitando a mão livre, deu-lhe um tapa no rosto, arranhando-o todo, no mesmo minuto, Daniel bateu nela com a mão que segurava a faca e Helena desmaiou.

Quando acordou, Helena estava amarrada na cadeira com uma gravata. Daniel estava em pé na frente dela, segurando a faca.

– Porque você está tentando fugir de mim? Não fiz nada para você! Eu só queria cuidar de você… então porque você está fazendo isso??!! – Gritou Daniel.

Helena chorava e tentava se soltar.

– É boa a sensação?? – perguntou Daniel se aproximando de Helena – Afinal de contas você já fez isso comigo, me amarrou… e me cortou – Então Daniel encostou a faca no rosto de Helena, lhe cortando ao lado dos olhos e descendo para a bochecha.

Então o telefone tocou.

Daniel pegou o telefone, colocou a faca de volta no rosto de Helena e disse:

– Se você fizer alguma coisa, você morre na mesma hora!

Helena afirmou com a cabeça, cerrou a boca e continuou chorando.

Daniel atendeu o telefone.

-Alô! – Disse Daniel normalmente – Como? Não, não sei. Helena não estava muito bem, então nem tinha saído de casa ainda.

Enquanto ele falava, Helena já estava se soltando, quando percebeu que ele afrouxou a faca do seu rosto e que já tinha conseguido se soltar deu-lhe um soco, o telefone voou para longe. Helena gritou socorro, lembrando do telefone que deveria estar ligado ainda. Correu para a direção de Daniel para pegar a faca. Quando se aproximou dele, Daniel ergueu a perna e acertou seu estômago, Helena caiu. Daniel pegou a faca, se levantou e foi para se jogar em cima dela, mas Helena rolou pelo chão e ele caiu no chão vazio, a faca escorregou de sua mão e Helena pegou, Daniel já estava se levantando, Helena subiu nele e o golpeou nas costas, atravessando a faca até o peito, Helena viu o sangue escorrendo e o corpo de Daniel ficando mais mole, então se desaproximou.

Quando a polícia chegou, ela estava na cadeira de frente para o corpo de Daniel, observando-o atentamente. Ele estava morto, mas mesmo assim ela não queria perdê-lo de vista.

[…]

Helena passou a cobrir as cicatrizes do rosto com o cabelo. As lembranças daquele dia, não ficaram gravadas somente na sua memória, mas também em seu rosto.

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Esse é o fim da minha história, espero que vocês tenham gostado.
Me diverti imaginando e bolando essa história com meus amigos. E espero que vocês tenham desfrutado.
Descobri que gosto desse estilo de escrita, quem sabe mais para frente não escrevo outra, mas nada de matança! Hahaha!
E muito obrigada por acompanhar!
Até a próxima!
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